Não se chora
duas vezes
num só dia
se reclama
se amofina
se massacra
se alucina
mas chorar
não
nunca
duas vezes ao dia
A gente amordaça
o amargo da boca
do coração
e finge
deliberadamente
que o nó vasto
na garganta
é laço frouxo
de festa
mas chorar
não
nunca
duas vezes ao dia
Nem por amor
ou saudade
nem por medo
ou piedade
duas vezes
não
é demais
é intenso
é tolice
sem razão
Chorar
por si só
é nefasto
ridículo
Não se chora
duas vezes
nem por raiva
nem por manha
nem por morte
nem por ele
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1977)
Poemas, inéditos ou não. Comentários sobre os trabalhos. Um registro... Poesia ao acaso.
terça-feira, 12 de abril de 2011
***
Não quero chorar pelo que não fiz
nem pelas feridas que não sulquei
Quero sair no domingo
tomar um porre
ver gente
falar de amor
dizer e redizer bobagens
ir à praia
e rever imagens
de nem sei quem
Não quero vestir a roupa da moda
nem despir os que não têm
Quero fazer poesia
esquecer teorias
mentir
sorrir
contar os meus casos
a todos que neles crêem
Não quero lutar por nada
nem por ninguém
Quero fazer besteiras
escorregarno vento
molhar meus olhos
neste mar imenso
mexer com os outros
cuspir no chão
e cair na asneira
de dizer não
Não quero viver de gestos
nem de restos também
Quero querer mais fundo
acreditar em tudo
amolecer o escudo
que a todos cobre
e bem
Não quero ser mais um
nem todos
Quero perder no jogo
ganhar coragem
e dizer pro mundo
que me apaixonei
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1975)
nem pelas feridas que não sulquei
Quero sair no domingo
tomar um porre
ver gente
falar de amor
dizer e redizer bobagens
ir à praia
e rever imagens
de nem sei quem
Não quero vestir a roupa da moda
nem despir os que não têm
Quero fazer poesia
esquecer teorias
mentir
sorrir
contar os meus casos
a todos que neles crêem
Não quero lutar por nada
nem por ninguém
Quero fazer besteiras
escorregarno vento
molhar meus olhos
neste mar imenso
mexer com os outros
cuspir no chão
e cair na asneira
de dizer não
Não quero viver de gestos
nem de restos também
Quero querer mais fundo
acreditar em tudo
amolecer o escudo
que a todos cobre
e bem
Não quero ser mais um
nem todos
Quero perder no jogo
ganhar coragem
e dizer pro mundo
que me apaixonei
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1975)
REUNIÃO
angústia
cansaço
desespero
não sei
só sei que tudo
naquele algo
mudou
os sorrisos frouxos
os olhares vagos
a inapetência
o descompassado
parabéns
(às pressas)
e até mesmo
a gritaria
da gente pequena
tudo mudou
agora
a familia é espelho
rachado
a refletir
tontos sonhos
esperanças
recordações
..........................................
a casa e as velas
as mesmas
o bolo
igual
mas hoje
falta um aquilo
um aquilo só nosso
que se perdeu por aí
pelos anos
e no burburinho
da fasta
no tilintar
de línguas
e talheres
o silêncio é presente
marcante
e cruelmente
impossivel
de se apagar
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1976)
cansaço
desespero
não sei
só sei que tudo
naquele algo
mudou
os sorrisos frouxos
os olhares vagos
a inapetência
o descompassado
parabéns
(às pressas)
e até mesmo
a gritaria
da gente pequena
tudo mudou
agora
a familia é espelho
rachado
a refletir
tontos sonhos
esperanças
recordações
..........................................
a casa e as velas
as mesmas
o bolo
igual
mas hoje
falta um aquilo
um aquilo só nosso
que se perdeu por aí
pelos anos
e no burburinho
da fasta
no tilintar
de línguas
e talheres
o silêncio é presente
marcante
e cruelmente
impossivel
de se apagar
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1976)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
CENA EM FAMILIA
O pai chega
O filho sai
e o Divino Espirito Santo serve o jantar
com um sorriso forçado nos olhos
(Poema publicado em DESCOMPASSO,1974)
O filho sai
e o Divino Espirito Santo serve o jantar
com um sorriso forçado nos olhos
(Poema publicado em DESCOMPASSO,1974)
GEOMETRIA
Sou tão
só
quanto
hipotenusa
oblíqua
enorme
cercada de catetos por todos os lados
(Poema em DESCOMPASSO,1977)
só
quanto
hipotenusa
oblíqua
enorme
cercada de catetos por todos os lados
(Poema em DESCOMPASSO,1977)
VÉSPERA
Faz um ano
se é que faz
desfaz-se um sonho
desmarca o tempo
Faz um ano
se é que faz
A espera na amarra
o grito
o riso solto
o criar com as mãos
e com os pés
e com os olhos
a fala
o gesto
o criar criando
o criar criança
no se espalhar
de um ano
no gargalhar de um tempo
A esperança na amarra
Faz um ano
se é que faz
O corre-corre
o volta sempre
a falta do carro
a farsa no palco
e riso
e ânsia
e esse sufuco imenso
preso sempre e sempre
e sempre na garganta
Os amigos dispersos
diversos
numa só mão
no empurrar da aflição
Passa folha
risco
letra
inverte
investe
A festa na sala de estar
no palco
na mente
no corpo
A vida voava num dia
passava o momento
o minuto
o segundo
ninguém via
Faz um ano
se é que faz
a esperança feita de farra
um ano
se é faz
O gesto agora é pequeno
O mundo agora é pequeno
A vida agora é
não sei
A esperança é feita de farra
se é que se faz
(Poema publicado em DESCOMPASSO, relembrando a preparação do livro CORAÇÕES TROPICAIS)
MEU POEMA
Ñão é poema de amor
ou de tédio
nem mesmo poema de dor
é muito mais poema remédio
fragmento de cor
Sem pé nem cabeça
de braços atados
poema menino
um nada de estória
coitado
Não é feito de rimas ou gestos
fatos ou coisas
é um poema modesto
Uma estranha recordação
Um descuido do olhar
Um momento
ou talvez
simplesmente
um resto de expiração.
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1976)
ou de tédio
nem mesmo poema de dor
é muito mais poema remédio
fragmento de cor
Sem pé nem cabeça
de braços atados
poema menino
um nada de estória
coitado
Não é feito de rimas ou gestos
fatos ou coisas
é um poema modesto
Uma estranha recordação
Um descuido do olhar
Um momento
ou talvez
simplesmente
um resto de expiração.
(Poema publicado em DESCOMPASSO, 1976)
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